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Bahia tem risco de epidemia de Dengue
Sex, 03 de Setembro de 2010 14:35

“Todo cuidado é pouco”, alerta Alcina Andrade, diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab).  O parecer veio logo após o Ministério da Saúde (MS) divulgar que a Bahia está entre os 10 estados com alto risco de epidemia de dengue, no próximo Verão. De acordo com ela, durante todo o ano, são desenvolvidas ações para evitar a proliferação do mosquito transmissor, mas questões como a precariedade no fornecimento de água e problemas na coleta de lixo ainda são os maiores entraves.

Os fatores de risco apontados pela Sesab foram também destacados pelo MS, como critérios básicos, para detecção do que chamou de “Risco Dengue”. Foram levados em consideração, ainda, a incidência de casos, nos anos anteriores, índices de infestação pelo Aedes aegypti, tipos de vírus em circulação e a densidade populacional de cada estado. A nova metodologia reforça o caráter intersetorial do controle da dengue e permite aos gestores locais de saúde intensificar as diversas ações de prevenção nas áreas de maior risco.

Para a diretora da Vigilância Epidemiológica, na Bahia, os riscos são agravados devido à proximidade do estado com regiões que sofreram epidemias, provocadas pelo sorotipo 1 da dengue, no ano passado. No Brasil, circulam os tipos 1, 2 e 3, mas, entre os baianos, o sorotipo 1 tem circulado, com menor intensidade, desde 1999.

Com a reintrodução deste sorotipo, no estado, crianças menores de 14 anos – que possivelmente ainda não tiverem contato com este sorotipo – correm maiores riscos de serem infectadas, além da maior probabilidade de desenvolverem a forma mais grave da doença.

“Se as pessoas não se mobilizarem para manter um ambiente limpo, dificultando a proliferação do mosquito, nada vai adiantar, até porque o trabalho de controle dos agentes de endemias é realizado a cada dois meses e nesse período pode haver uma grande reprodução”, diz.

Problemas na distribuição de água são apontados pela especialista como um dos maiores desafios da Sesab, no combate à dengue. “Por conta destes problemas, muita gente armazena água, dentro de casa, sem tomar os devidos cuidados”, diz, destacando ainda o acúmulo de lixo como o segundo maior outro fator de risco.  

Entre as ações desenvolvidas pela Sesab, em parceria com os municípios e MS, para evitar a proliferação do mosquito e prestar assistência adequada e oportuna, destacam-se a aplicação de inseticida em 95 municípios, deslocamento do Grupo de Trabalho (GT) para regiões prioritárias, com a finalidade de contribuir com a reorganização das ações de controle da dengue, realização de capacitações regionais e videoconferência sobre diagnóstico, manejo clínico e organização da assistência ao paciente com dengue, lançamento da Linha Guia da Dengue para Atenção Básica, implantação da Resposta Coordenada (RC), estratégia adotada para fortalecimento do Plano Estadual de Contingência, além da participação em eventos promovidos pelo Ministério Público para divulgar e esclarecer a situação da dengue.

Cuidados especiais de prevenção:

• Substitua a água de vasos de plantas por terra. Em pratinhos de vasos ou de xaxins, escorra a água e coloque areia até a borda dos pratinhos.
• Garrafas vazias devem sempre ser guardadas com a boca para baixo e em locais cobertos.
• No caso de bromélias ou outras plantas que possam acumular água, é indispensável tratá-las com água sanitária: Coloque 1 colher de sopa de água sanitária para cada litro de água, regando a planta no mínimo duas vezes por semana. Tire sempre a água acumulada das folhas.
• Quando a equipe de combate à dengue passar aplicando o fumacê, abra as portas e janelas, cubra os alimentos, gaiolas e os recipientes com água de beber.
• Feche bem o saco plástico de lixo e mantenha a lixeira sempre tampada.
• Tampinhas de garrafa, casca de ovo, latinhas, saquinhos plásticos, embalagens plásticas e de vidro podem acumular água. Coloque tudo em um saco plástico, feche bem e jogue no lixo.
• Os vasilhames para água de animais domésticos devem ser lavados com esponja e sabão, pelo menos uma vez por semana.
• Deixe a tampa dos vasos sanitários sempre fechadas. Em banheiros pouco usados, dê descarga uma vez por semana.
• Verifique se há entupimentos em ralos de cozinha, de banheiro, sauna e ducha. Se houver, providencie o imediato desentupimento. Se não estiver utilizando-os, mantenha-os fechados.
• Lagos, cascatas, espelhos d’água decorativos devem ser mantidos sempre limpos. Crie peixes, pois eles se alimentam de larvas. Se não quiser criar peixes, mantenha a água tratada com cloro ou encha-os com areia.
• Retire sempre a água da bandeja externa da geladeira. Lave a bandeja com água e sabão.
• Lave bem os suportes de garrafões de água mineral sempre que for trocar os garrafões.
• Lave bem com esponja e sabão as paredes internas de tonéis e depósitos de água. Mantenha bem fechados os latões de água, caixas d’água, poços e outros depósitos para não permitir a entrada ou saída de mosquitos. Tampe com telas aqueles que não tenham tampa própria.
• Trate a água de piscinas com cloro. Limpe uma vez por semana. Se não for usá-la, cubra-a bem. Se estiver vazia, coloque um quilo de sal no ponto mais raso.
• Verifique sempre se as calhas de água da chuva não estão entupidas. Remova as folhas ou outros materiais que possam impedir o escoamento da água.
• Evite acumular entulhos e lixo.
• Retire a água acumulada nas lajes.
• Em muros com cacos de vidro, deve-se colocar areia nos cacos que possam acumular água.
• Entregue os pneus velhos aos serviços de limpeza urbana. Caso realmente precise mantê-los, guarde-os em local coberto.

Fonte: Tribuna da Bahia

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