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Toda a Bahia acompanhou estarrecida a derrubada das barracas de praia instaladas na Orla de Salvador na semana passada. Em resposta a ação, que gerou desespero nos barraqueiros, o prefeito de Salvador, João Henrique, e o governador da Bahia, Jaques Wagner, proferiram uma declaração uníssona: “faltou diálogo!”. A Superintendência de Patrimônio da União (SPU), órgão responsável pela extensão de orla marinha no Brasil, também determinou a derrubada das barracas da Orla de Camaçari, mas as autoridades locais tentam dar um rumo diferente ao cumprir a decisão.
Representantes da Prefeitura Municipal conseguiram assinar um termo que estendeu o prazo para a remoção das barracas na extensão litorânea de Camaçari por dois anos. O acerto foi definido no dia 22 de setembro de 2009 e, até o dia 22 de setembro de 2011, a orla de Camaçari deve apresentar-se dentro do padrão determinado. O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, José Cupertino, revela que já tem projetos prontos, a exemplo da adequação da Praia de Guarajuba e do Emissário Submarino.

Cupertino expôs alguns detalhes que permitem imaginar como ficará a orla depois da adequação das barracas. “A estrutura das barracas será toda de madeira. Ela não tocará no solo, ficará suspensa como uma palafita”, diz, explicando que o novo modelo obedece as determinações do Instituto de Meio Ambiente (IMA), da Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia (SEMA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). Além disso, as barracas não terão sanitários. “Os banheiros públicos serão ampliados para que não seja necessário sanitário nas barracas”, disse.
O secretário explica que deu-se prioridade a elaboração do projeto para Guarajuba porque no período de chuvas oito das 18 barracas desmoronaram. “Como a determinação proibia reerguer qualquer estrutura na praia, priorizamos Guarajuba para que os comerciantes não fiquem muito tempo sem a fonte de renda”, conta. O diálogo é, justamente, um dos diferenciais num comparativo com o recente ato na Orla da capital. O projeto de Guarajuba foi apresentado aos barraqueiros nesta terça-feira, 31. Como documento em mãos, eles discutem entre si para, em seguida, enviar possíveis ajustes e correções à secretaria. Só depois o projeto final será apresentado ao SPU, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelo município em relação ao cumprimento da determinação do SPU é a elaboração de um projeto para a Praia de Jauá.“Cada praia tem uma particularidade. São elevações e projetos diferentes. Nosso principal desafio é elaborar um projeto para Jauá, porque não há espaço para a construção das barracas”, cita, explicando que a exigência é que as novas estruturas sejam instaladas após o limite de 60 metros além do nível máximo da maré cheia, perímetro classificado como edificável.
Por Wesley Sobrinho
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