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Já considerado Prata da Casa, Edson da Conceição Coelho, 45 anos, ou melhor, EDY VOX, dá outro importante passo na carreira. No próximo dia 06, o cantor e compositor lança o Eletro Acústico, segundo trabalho solo, contendo 11 faixas e duas releituras.
Com mais de 20 anos de carreira, EDY VOX tornou-se um dos mais bem conceituados e respeitados cantores de reggae da Bahia. O líder EDY VOX, aposta num reggae que agrega ritmos como samba, baião e o xote. O lance para ele é revitalizar a história da música, utilizando elementos do passado para compor o presente e o futuro.
Protagonista durante quase 15 anos da banda Papoula, EDY VOX, consagrou músicas como “A MASSA”, “O REGGAE TE ATRAI” e “O HOMEM DO, CORACAO RASTAFARI". Ansioso para o lançamento do Eletro Acústico, ele fala sobre o disco e relembra fatos que marcaram a carreira.
Nossa Metrópole – Como e quando começou a se envolver com o reggae?
EDY VOX – Sempre gostei muito de música. Aos 19 anos eu era baixista de uma banda de rock, mas era inquieto e escutava vários estilos, na verdade eu queria algo mais popular e assim cheguei ao reggae.
Nossa Metrópole – Boa parte da sua carreira como cantor e compositor foi na Papoula. Como foi a experiência de conviver tanto tempo com um grupo?
EDY VOX – Muito boa. Eu me profissionalizei na banda e sinto muito orgulho disso, afinal eu ajudei a construir o projeto, criei o nome Papoula que graças a Deus deu certo. Fiquei 15 anos na banda, durante esse tempo gravamos três discos. Em 2001 eu resolvi sair do grupo para me dedicar a um projeto solo.
Nossa Metrópole – Você conseguiu alcançar os seus objetivos com a música?
EDY VOX – A música para mim sempre foi muito mais que um mecanismo para alcançar a fama ou bens materiais. Minha intenção nunca foi ser artista, mas tentar fazer algo pelas injustiças sociais do Brasil. O reggae contribui neste sentindo, ajuda o povo a refletir.
Nossa Metrópole – Como surgiu o tão expressivo nome EDY VOX?
EDY VOX – Vox vem de um ditado popular do latim “A Voz do Povo é a Voz de Deus”. O nome foi sugerido por um amigo, eu achei interessante e o povo aceitou muito bem, daí ficou o EDY VOX.
Nossa Metrópole – Você costuma compor músicas que refletem os problemas das pessoas, principalmente as menos favorecidas. Que tipo de mensagem pretende passar através dessas letras?
EDY VOX – Gosto de cantar a realidade do povo, a poesia do gueto e a sonoridade das ruas. Acho que a música tem o poder de abrir a cabeça das pessoas para algumas situações e esse é o meu objetivo. Minha intenção é contribuir para a proliferação de uma música mais poética nas ruas.
Nossa Metrópole - Ultimamente o reggae vem se tornando muito popular. O que você acha do reggae comercial?
EDY VOX – Para mim o importante é a proliferação de música boa. Os compositores devem ter muita responsabilidade no momento de compor, para não colocar “besteirol” na cabeça das pessoas. Na fase de transição em que o país enfrenta a responsabilidade de compor é grande. O reggae comercial é uma prova de que aos poucos o tabu está se quebrando. Há algum tempo atrás só se escutava reggae nos guetos, hoje é a segunda música mais popular do mundo, o que já nos fortalece contra o preconceito.
Nossa Metrópole – E por falar em comercial, o que você acha do cenário de música no Brasil?
EDY VOX – Pinta algumas injustiças. Existem músicas boas que nunca chegaram a lugar algum. Acho que viver de música no Brasil é muito complicado, a sorte não vem para todos. É uma das profissões mais ingratas, por isso uma das minhas lutas é que a profissão seja regulamentada.
Nossa Metrópole – O Eletro Acústico é o seu segundo trabalho solo. O que mudou no disco?
EDY VOX - Esse disco é mais literário, composto por músicas que podem ser escutadas em qualquer lugar. A sonoridade é diferente do reggae tradicional, o Eletro Acústico é bem mais tranquilo.
Nossa Metrópole – Por que escolheu Camaçari para lançar o Eletro Acústico?
EDY VOX – Camaçari sempre foi a minha base. Há muito tempo eu costumo desenvolver os projetos aqui e só então despontar para outros lugares. Uma mensagem final – Tá liberado! Tá liberado pensar, tá liberado amar, tá liberado fazer tudo, desde que cada um assuma sozinho as consequências dos seus atos.
Por Fabiana Monte
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