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Suspense e intriga policial são os ingredientes da estreia O Corvo, filme dirigido por James McTeigue, o mesmo autor de V de Vingança. Desta vez, o diretor australiano investe na figura do célebre escritor e poeta norte-americano Edgar Allan Poe (1809- 1849) para tratar de assassinatos em série, em trama de época, ambientada no século 19.

O ator John Cusack é o protagonista, vivendo um atormentado Edgar Allan Poe. Na trama, o escritor se vê envolvido em crimes, por conta de um assassino em série, que se inspira em seus escritos para cometer homicídios. É assim que Poe acaba interpelado pelo detetive Fields, papel do ator Luke Evans, que acaba usando-o para tentar se antecipar aos próximos passos do criminoso.
Para evitar confusões, é bom que se diga que o “corvo” citado no título se inspira no poema homônimo de Poe, não tem nada a ver com o thriller de mesmo nome, lançado em 1994 (The Crow), que era uma adaptação de uma história em quadrinhos.
Além do poema O Corvo, as principais obras de Poe estão citadas no filme de McTeigue, incluindo Os Crimes da Rua Morgue, A Carta Roubada e O Mistério de Maria Roget. As situações dos romances são evocadas a partir dos crimes que vão aparecendo.
A premissa é até interessante, mas o resultado nem tanto, não deixa de trazer uma certa pretensão, que não resulta em dividendos para a narrativa.
- Cusack está bem caracterizado, realmente parecido com Edgar Allan Poe, virando-se razoavelmente a partir de uma interpretação carregada, que não soa mal para a dramaturgia da fita. Funciona também a caracterização de época, a escolha por uma fotografia acinzentada, que aproveita os cenários soturnos como um evidente elemento dramático.
O Corvo, o filme, no entanto, peca por sua pontuação. Com sérios problemas de ritmo, o filme não tira partido das citações famosas em prol de um enredo bem engendrado. Pelo contrário, tudo parece muito superficial, sem explorar a atmosfera visual para provocar alternâncias de clímax e preparação para a tensão.
McTeigue não consegue dar um formato orgânico, contínuo, de maneira a fazer o espectador acompanhar o desenvolvimento da história com crescente interesse. Nem se trata daquela premissa ruim para os filmes do gênero, a de advinhar quem é o vilão antes do final, o fato é que O Corvo sequer instiga o espectador a se interessar por esta revelação.
Fonte: A Tarde |