Famílias de vítimas e sobreviventes da tragédia da Pague Menos aguardam condenação de culpados

O incêndio ocorreu no dia 23 de novembro de 2016. Foto: Divulgação

 

Em novembro completa três anos que 10 pessoas morreram e nove pessoas ficaram feridas no incêndio da Farmácia Pague Menos, localizada na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Camaçari. Na manhã desta terça-feira (10), a gerente da Farmácia em Camaçari, Maria Rita Santos Sampaio, foi única réu ouvida em audiência no Fórum Clemente Mariani.

Algumas pessoas que ficaram feridas na explosão estiveram no local para acompanhar o caso. A ex-operadora de caixa, Cristiane Matos, que sofreu queimaduras no braço e no rosto, compareceu ao Fórum, mas seu acesso a audiência não foi permitido. Em conversa com a reportagem da Nossa Metrópole, Cristiane afirmou que acredita na Justiça e que aguarda a condenação dos verdadeiros culpados e que os feridos e as famílias das vítimas sejam indenizadas.

“Esperamos por Justiça, pois foram 10 vítimas que perderam suas vidas e outras que ficaram feridas e ainda não se recuperaram, como eu. Sofri várias lesões, queimaduras de 2° e 3° grau no rosto e nos braços. Fiz enxerto no braço esquerdo. Hoje, ainda faço fisioterapia motora para recuperar os movimentos dos três dedos da mão esquerda, pois tenho lesões que não foram totalmente cicatrizadas. Minha vida parou, pois não tenho condições de trabalhar”, afirma Cristiane.

Ela também chegou a contar que a Pague Menos auxiliou no tratamento, mas não foi o bastante, pois com as limitações, ela está impossibilitada de trabalhar e não tem como se manter. “Estou sem condições para trabalhar devido às lesões. Estou sem receber o auxílio do INSS. Espero que isso acabe logo e que as famílias sejam indenizadas”, completa.

O jovem matense, Léo Estrela, que teve a tia e mãe de criação Rosiane dos Santos, 35 anos e a madrinha Denilda de Jesus Puridade, 36 anos mortas no incêndio da Farmácia Pague Menos, conta que ambas famílias das vítimas não receberam até hoje o apoio de assistência médica, psicológica e material da Pague Menos. “Eu vi muita negligência e ganância. Ao contrário do que a farmácia diz, nunca recebemos nem sequer uma ligação ou acompanhamento durante e depois do ocorrido. No dia do reconhecimento dos corpos, a gerência nos deu um telefone para que a famílias entrasse em contato, o número nem chamava”, conta.

Hoje, a família de Léo, mesmo abalada com a forma trágica que as matenses morreram, luta para que os culpados sejam condenados e pague pelo crime. “Continuaremos na luta, chamando a atenção das autoridades, pois essas mortes não serão esquecidas”, conclui.

Incêndio – O desespero tomou conta da Avenida Getúlio Vargas, no centro de Camaçari. Um incêndio, para a polícia previsível, atingiu a filial de número 249 da rede de farmácias Pague Menos. Uma tarde angustiante, que acabou em luto, diante de 10 mortes.

Celine Pires Souza Castro, 9 anos; Lidiane Macedo Silva, 33 anos; Tatiane Ribeiro Mendes, 34 anos; Rosiane dos Santos, 35 anos; Denilda de Jesus Puridade, 36 anos; Luciane Alves Santos, 38 anos; Cristiana do Nascimento Souza, 39 anos; Vilma Conceição Santos, 40 anos; Idália Simão dos Reis, 58 anos; Maria do Carmo Santos de Menezes, 71 anos.

O incêndio atingiu o local por volta das 13h50. Segundo testemunhas que trabalhavam na região próxima à farmácia, o fogo teria sido causado pela explosão de um botijão de gás que estava no interior do estabelecimento.

Após a explosão, o teto do imóvel teria caído e atingido clientes e funcionários da farmácia.

Após investigações, Polícia Civil indiciou as oito pessoas. Três delas integravam a rede de farmácias e as outras estavam vinculadas a empresas terceirizadas (AR Empreendimentos) e ‘quarteirizada’ (Chianca), que faziam reparos no estabelecimento.

O local foi reaberto e atualmente funciona uma loja de eletrodomésticos.

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