Líder da Coreia do Norte quer trabalho em conjunto com a Rússia para resolver questão nuclear

O presidente russo, Vladimir Putin, se encontra com o líder norte-coreano Kim Jong-un no campus da Universidade Federal do Extremo Oriente, em Vladivostok — Foto: Alexey Nikolsky / Sputnik / via AFP Photo

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, pediu nesta quinta-feira (25) ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que trabalhem em conjunto para explorar formas de resolver o problema da desnuclearização da Península Coreana. Eles tiveram um encontro inédito na cidade russa de Vladivostok.

“A situação na Península Coreana é de grande interesse para toda a comunidade internacional. Espero que nosso encontro seja importante para avaliarmos essa situação em conjunto, trocarmos impressões sobre a situação e como resolver esse problema conjuntamente”, disse o líder norte-coreano a Putin, no início do encontro.

No início da primeira cúpula entre os dois líderes desde que o norte-coreano assumiu o poder em 2011, Putin agradeceu os esforços de Kim “para desenvolver o diálogo intercoreano e normalizar as relações entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos”.
O presidente russo afirmou que as delegações russa e norte-coreana discutiram, durante as quase duas horas de reunião, a história das relações entre os dois países e os planos de desenvolvimento para a cooperação bilateral.

“Falamos, é claro, sobre a situação na península coreana, trocamos opiniões sobre o que precisa ser feito para que a situação tenha perspectivas de melhora”, disse.

‘Solução pacífica’

Presidente russo, Vladimir Putin, e líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, fazem brinde após primeira reunião de cúpula Vladivostok, na Rússia, nesta quinta-feira (25) — Foto: Alexei Nikolsky/ Sputnik/ Kremlin via AP

Kim mostrou-se “muito contente” em visitar a Rússia, país com o qual a Coreia do Norte tem 20 km de fronteira terrestre. Ele descreveu o “grande vizinho” como um país “amigável”.

“Espero que nossas negociações continuem da mesma forma, de maneira útil e construtiva”, disse ele.

Vladimir Putin também expressou confiança em que a cúpula com o líder da Coreia do Norte permitirá não apenas desenvolver as relações bilaterais, mas também contribuir para a solução pacífica da questão nuclear na península coreana.

De acordo com o representante russo na União Europeia (UE), Vladimir Chizhov, os dois líderes abordaram a retomada das negociações de seis partes (as duas Coreias, Japão, EUA, Rússia e China) para a resolução do conflito nuclear, atualmente estagnada.
O dirigente norte-coreano chegou na quarta-feira à Rússia após uma viagem de 10 horas em seu trem blindado.

A primeira cúpula entre os dois líderes aconteceu no edifício “S” do campus da Universidade Federal do Distante Oriente, na Ilha Russky, em Vladivostok.

Kim chegou às 14h10 (horário local, 1h10 de Brasília) e foi recebido na entrada com um aperto de mão de Putin, que tinha chegado 20 minutos antes ao local.

Pai de Kim

O presidente russo lembrou que foi o pai do atual líder do país comunista, Kim Jong-il, que impulsionou a assinatura de um tratado de amizade com a Rússia. Kim Jong-il se reuniu com o então presidente e atual primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev.

Naquela oportunidade, o então líder norte-coreano, que morreu em dezembro de 2011, afirmou que estava disposto a renunciar aos testes nucleares. Porém, Kim Jong-un já fez quatro testes nucleares e lançou mísseis intercontinentais.

Apoio internacional

Esse encontro com Putin acontece dois meses depois do fracasso da reunião entre Kim e Trump, em Hanói (Vietnã), que terminou antes do previsto e sem acordo.

A reunião é uma oportunidade para Kim conseguir apoio mais sólido de Putin para proposta de desnuclearização gradual acompanhada de um levantamento progressivo de sanções.

Putin quer desmantelamento do programa nuclear norte-coreano e, por isso, apoiou as sanções no Conselho de Segurança toda vez que aconteceram testes em Pyongyang. Porém, ao mesmo tempo, a Rússia apoia o desarmamento passo a passo e oferece garantias de segurança a Kim.

Embora tenha concordado em colocar fim ao seu programa nuclear, Pyongyang não aceita a condição imposta pelos EUA para suspenderem as sanções: o abandono da produção de armas nucleares seja feito de forma completa, irreversível e verificável.

Fonte: Globo News