Violência contra a mulher cresce 36,62% em Camaçari e últimos registros têm chocado a população

O ano mal começou e Camaçari já registra 415 casos de violência contra a mulher. Uma estimativa de 4,88 denúncias por dia. De acordo com a delegada titular da DEAM/Camaçari, Florisbela Rodrigues, os registros aumentaram em 36,62%, comparado com o mesmo período em 2018, quando foram registrados 368 casos.

Em fevereiro, a terrível história da jovem Eva Luana, abusada e torturada pelo padrasto por mais de oito anos, veio à tona e chocou o país. E, desde o dia 19 de março, exatamente um mês, após a publicação do caso de Eva, outra moradora de Camaçari tornou-se protagonista de mais uma história de terror devido à violência doméstica, tortura e abuso sexual.

A estudante Deisiane Souza Cerqueira, de 18 anos, foi mantida em cárcere privado durante seis meses, pelo namorado, o tatuador Marcos Alexandre da Silva, com quem morava há cerca de oito meses. A garota foi resgatada pelo pai em estado deplorável. Com o rosto desfigurado, inúmeras cicatrizes espalhadas pelo pescoço, costas e pernas, resultantes das sessões diárias de murros, facadas, queimaduras de cigarro, mordidas e outras agressões físicas, que começaram logo após os dois primeiros meses da relação. Além da tortura física, ela também sofreu intensa tortura psicológica.

Apesar de toda a repercussão que o caso também está tendo na cidade, até agora, Marcos não foi encontrado pelos policiais da DEAM. Diferentemente do agressor de Luana, que se encontra preso no presídio de Mata Escura, em Salvador, o algoz de Deisiane ainda não foi preso e, de acordo com Lismar Monteiro, um de seus advogados, o rapaz está abalado com a situação e será apresentado à polícia em breve. “Aparentemente abalado, porque a situação é complicada. Cada um dará sua versão aos fatos. Ele está em situação de risco devido ao clamor social, porque esse tipo de situação as pessoas se sensibilizam. Exposição do réu nesse momento é um risco a uma possível agressão”, declarou.

A pedido da delegada Florisbela, o juiz Ricardo José Vieira Santana concedeu medida protetiva para Deisiane, estabelecendo que Marcos deva ficar a 300 metros de distância dela e de seus familiares. No entanto, declarando estar com muito medo do que ainda pode acontecer, o pai da jovem tem feito uso da rede social dela para comunicar que, até que Marcos seja preso e que toda a família esteja se sentindo em segurança, eles evitarão a exposição virtual e física da estudante.

Redação Nossa Metrópole