Camaçariense resgatada de cárcere privado pede prisão para ex-companheiro

Nesta quinta-feira (21), a jovem de 18 anos, que foi resgata pelo pai após ser mantida em cárcere privado durante seis meses pelo namorado, em Camaçari, decidiu revelar a sua identidade e fazer um apelo por justiça. Através de seu perfil no Instagram, Deisiane Cerqueira, contou que ficava amarrada e sofria, diariamente, várias agressões do companheiro, o tatuador Marcos Alexandre da Silva, de 25 anos, com quem ela morava no bairro Phoc II, há cerca de seis meses.

Durante seis meses, Deisiane esteve presa em cárcere privado e sofreu inúmeras agressões por parte do companheiro. (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Praticamente, irreconhecível com um rosto desfigurado, a jovem postou fotos de como era antes de sofrer tantas torturas. Também exibindo as cicatrizes espalhadas pelo pescoço, costas e pernas, fruto das sessões diárias de murros, facadas, queimaduras de cigarro, mordidas e outras agressões físicas, que começaram logo após os dois primeiros meses da relação, Deisiane tornou pública a imagem do agressor, fazendo um apelo para que o mesmo seja encontrado e preso.

Após dois meses de namoro, Deisiane convidou o namorado para morar com ela e foi aí que começaram as agressões. Até que, na última terça-feira (19), ela foi resgatada pelo pai, o taxista Robson Cerqueira Santos, 43, que, devido à grande dificuldade de falar com a moça, decidiu ir saber, pessoalmente, o que estava acontecendo. Segundo ele, era o namorado da garota quem atendia o celular todas as vezes em que ligava, inventando desculpas para que os dois não se falassem. “Ele falava que ela estava em Salvador cuidando da avó dele. Era a mesma história sempre. Os avós maternos dela moravam no andar superior da casa, mas nada escutavam, porque ela sofria calada. Ele dizia que, se ela gritasse, a mataria com facadas e mataria também os avós”, contou o pai.

Quando convidou o namorado para morar com ela, Deisiane não podia imaginar que ele se tornaria seu opressor. (Foto: Reprodução do Instagram)

Robson encontrou a filha bastante machucada. “Ela estava amarrada numa cama, presa por uma corda. Estava muito fraca, sem comer, cheia de marcas pelo corpo. Foi terrível ver a minha filha naquele estado. Carreguei ela nos braços e tirei dali. Depois, fomos à delegacia registrar o caso”, contou o pai da jovem.

“Se meu pai não me salvasse, tenho certeza que neste momento estaria morta. Ele com certeza iria me matar”, disse ela, que afirmou não saber o motivo da mudança de comportamento de Marcos.

A estudante contou também que o tatuador chegou a colar os ferimentos dela com uma cola branca comum, utilizada normalmente em papel. “Ele me batia tanto que as paredes de minha casa estão sujas de meu sangue. Certa vez, ele bateu tanto, mas tanto, que ele depois começou a usar cola comum para fechar os ferimentos. Como não conseguia, me esmurrava no mesmo lugar”, completou a jovem.

Ainda segundo o relato de Deisiane, um dos momentos mais difíceis do cárcere foi quando viu o companheiro beber o sangue dela. “Não sei por que ele agia assim. Não fazia nada. Ele mudava de humor repentinamente e começava a me bater. Ele chegou a beber o meu sangue de uma das porradas que me deu. Ele gostava de figuras satânicas. Acho que ele surtava”, declarou.

Marcos Alexandre está foragido mas já apresentou advogado de defesa à DEAM.

O caso foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e está sob os cuidados da delegada Florisbela Rodrigues. Até o momento, Marcos não foi encontrado pelos policiais. A pedido da delegada, o juiz Ricardo José Vieira Santana concedeu medida protetiva a Deisiane, estabelecendo que Marcos deva ficar a 300 metros da vítima e de seus familiares.

Redação Nossa Metrópole