PMs suspeitos de matar criança estão de volta ao trabalho

Os quatros policiais militares lotados no 12º Batalhão da Polícia Militar (BPM/Camaçari), suspeitos de participar de uma ação policial que matou Hebert Felipe Souza Silva, 11 anos, na quarta-feira (14), foram soltos nesta segunda-feira (18) e voltaram a trabalhar no serviço administrativo enquanto o caso é apurado. Todos haviam sido presos em flagrante.

Familiares e amigos protestaram (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

A família do menino fez uma manifestação na manhã de ontem (18) na Praça Desembargador Montenegro. O garoto foi atingido por uma bala perdida, enquanto brincava na Rua dos Pássaros, no bairro Jardim Brasília.

Hebert morreu após levar um tiro nas costas

Ainda de acordo com a PM, os policiais, que não tiveram os nomes divulgados, “estavam custodiados na Coordenadoria de Custódia Provisória (CCP) desde o dia do crime, mas, após uma decisão judicial do 1º Tribunal do Júri de Camaçari, tiveram um relaxamento da prisão”. De acordo com o artigo 5º, inciso LXV, da Constituição, isso acontece quando há alguma ilegalidade na prisão.

Por meio de nota, a PM informou ainda que os quatros se apresentaram no 12° Batalhão na manhã desta segunda. “O comandante manterá os policiais militares no serviço administrativo até findar as apurações realizadas pela Corregedoria da PMBA”, diz a nota.

Lembranças

Na manhã desta segunda, enquanto os suspeitos se apresentavam, a família do garoto conversava na sala de estar da casa de número 50, onde Hebert morava. O diálogo foi interrompido pelo irmão mais velho da vítima, que chegava à residência aos prantos depois de se lembrar de uma viagem que fizeram juntos para Aracaju (SE). Hebert era o caçula e tinha dois irmãos.

“Lembrei de quando fizemos uma viagem e dei um susto nele. Ele era bem medroso, tinha medo de qualquer barulho. Apaguei a luz e dei um susto. Chorei porque lembrei disso”, disse o irmão mais velho, o empilhador Enaldo de Jesus Bonfim, 27.

A família, segundo o pai do garoto, o encanador José Carlos Silva, 70, tem vivido assim desde o dia do crime: entre lembranças, lágrimas e medicamentos. A mãe de Hebert, a auxiliar de limpeza Gilcinalva Santana Souza Silva, 51, está com a saúde fragilizada e, desde que perdeu o filho, além dos habituais remédios para controlar a pressão alta, tem precisado de calmantes. Ela mal consegue sair na rua.

Pai do garoto lamenta a perda do filho (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Nesta segunda, Enaldo deixou o irmão do meio na Delegacia de Homicídios de Camaçari, para prestar depoimento. Ele, o pai e um vizinho também já foram ouvidos pela polícia. De acordo com a SSP, a delegacia da cidade informou que não passará informações de quantas pessoas já foram ouvidas e que “informações só serão passadas após a conclusão do inquérito”.

Protesto
Na manhã desta segunda, cerca de 50 pessoas andaram em direção à delegacia da cidade e depois foram até o Fórum Clemente Mariani.Na volta para casa, a mãe de Hebert passou mal ao ver as manchas de sangue do filho na rua em frente à residência de um vizinho. Foi ali que o garoto foi baleado nas costas, enquanto brincava de esconde-esconde com outras crianças.

Os vizinhos jogaram areia na pista para tentar limpar o sangue, mas ele ainda pode ser visto na calçada, assim como uma marca de tiro em um muro de uma das casas.

“Não quero que esqueçam do caso porque meu filho não era um bandido. Era uma criança de 11 anos, o meu pequeno. Um dos policiais, depois que meu filho já havia sido baleado, chegou a chamá-lo de bandido e ainda a ameaçar um vizinho nosso que tentava ajudá-lo”, desabafou a mãe que vestia uma camisa em homenagem ao filho com a inscrição “Luto, Felipinho”, como o garoto era conhecido na família.

O sepultamento do corpo de Hebert aconteceu no final da tarde da sexta-feira (15), no Cemitério Jardim da Eternidade, Gleba H.

Fonte: Correio 24h

Bibi Gourmet