Após denunciar padrasto por abusos, garota que havia sido dada como desaparecida clama por justiça nas redes sociais

Minutos depois de publicar em seu perfil do Instagram a verdadeira razão sobre o seu “desaparecimento” no final de janeiro, a jovem estudante de direito, Eva Luana, viu sua causa sendo abraçada por milhares de pessoas clamando por justiça nas redes sociais.

Até então, não se sabia, exatamente, o que havia acontecido para motivar o desaparecimento, apenas especulações apontavam para possíveis desentendimentos com o padrasto, mas, na noite dessa terça-feira (19), Eva decidiu quebrar o silêncio e falou, em detalhes, sobre as atrocidades físicas, sexuais e psicológicas que viveu desde os 12 anos de idade.

“Meu caos teve início quando eu tinha 12 anos, minha mãe era agredida, abusada, violada e torturada quase todos os dias… Resumindo de uma maneira geral, ela era agredida com chutes, joelhadas, objetos. Era obrigada a tomar bebidas até vomitar e quando vomitava tinha que tomar o próprio vômito como castigo… Ele começou a me abusar sexualmente. Eu tinha nojo, repulsa, ódio, e não entendia porque aquilo acontecia comigo…”, escreveu.

Foram oito longos anos de estupros, espancamentos, incontáveis abortos, tentativas de suicídio movidas pelo desespero, agressões físicas e verbais, e marcas profundas, no corpo e na alma, até que Eva, mais uma vez, teve a coragem de expor o terror que vivia, buscando, novamente, por justiça.

Uma história aterrorizante que tem ganhado intensa repercussão online nas últimas horas. Seu perfil, que até ontem tinha apenas 6 mil seguidores, já passa de 157 mil pessoas entre personalidades e artistas nacionais e também de toda Camaçari. Uma grande corrente solidária e mobilizada para defender a Eva e sua família.

Agora, sob proteção jurídica, o apelo de Eva Luana é para que a justiça seja feita e que o homem, a quem um dia ela chamou de pai, pague por todos os crimes que cometeu. Consciente de que incontáveis são as pessoas que vivem histórias iguais ou semelhantes à sua, ela também sonha em ser exemplo de encorajamento para que casos assim sejam denunciados e que as vítimas tenham a oportunidade de seguir em frente.

A história de Eva é mais um retrato cruel da realidade de milhões de mulheres. Não se cale. Ligue 180 e denuncie.

Redação Nossa Metrópole