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Saúde

sex , 16/11/2018 às 10:10

MPF pede que escolas cobrem carteira de vacinação

Doenças consideradas erradicadas estão voltando a ser registradas no território brasileiro por conta da não vacinação da população. A decisão de não ir aos postos levar os filhos para receber as “picadinhas” ou gotinhas acaba gerando uma conta maior com o risco de adoecimento e até mesmo de epidemias de doenças já eliminadas no Brasil, como sarampo, rubéola e poliomielite, ou já controladas, como a difteria e a coqueluche.

Para aumentar a cobertura vacinal do país, o Ministério Público Federal (MPF) oficiou os secretários de saúde dos estados nesta quinta-feira (15), solicitando que as creches e pré-escolas verifiquem as cadernetas de vacinação das crianças no momento da matrícula.

A orientação é que as escolas informem às autoridades sanitárias e às famílias a ocorrência de falta das vacinas obrigatórias. A ação busca aumentar a cobertura vacinal do país. Até 20 de outubro deste ano, foram notificados 349 casos suspeitos de sarampo no estado da Bahia. Não houve confirmação de casos entre os residentes do estado. Apenas confirmação de um caso importado de sarampo de Manaus, que ocorreu no município de Ilhéus, no Sul do estado.

O sarampo é uma das doenças que está sendo reintroduzida no país. Os dados são do último boletim epidemiológico das doenças exantemáticas (sarampo e rubéola), feito pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep).

Desse total, o maior número de casos suspeitos de sarampo e rubéola – consideradas doenças exantemáticas – ocorreu em menores de 5 anos (260). A maior incidência é observada entre os menores de 1 ano de idade, ou seja, em bebês.

A iniciativa do MPF foi resultado da audiência pública “Programa Nacional de Imunização – Redução das Desigualdades Sociais”, realizada em setembro, na sede da Procuradoria-Geral da República.“É necessária a atuação integrada entre diferentes órgãos, a fim de fortalecer as campanhas de vacinação e garantir a distribuição adequada, inclusive em aldeias indígenas e em comunidades quilombolas e ribeirinhas”, afirma a subprocuradora-geral da República, Elizeta Ramos.

“Contra arrependimento não tem vacina. Não adianta pensar em dar vacina quando a criança contrair a doença e estiver à beira da morte”, alertou a pediatra infectologista Regina Succi, que palestrou no 20º Congresso Brasileiro de Infectologia Pediátrica, na semana, no Bahia Othon Palace Hotel.

Durante sua palestra, Regina destacou que os profissionais da saúde devem treinar a abordagem destinada aos pais que se recusarem – ou hesitarem – a vacinar seus filhos. “O médico pode denunciar ao Conselho Tutelar? Pode, mas acredito que essa não seja a melhor solução. A solução ideal é conversar com o pai e fornecer argumentos de que a vacina é segura e que irá proteger a criança de doenças”, ressaltou.

Risco iminente
A Secretaria do Estado da Bahia (Sesab) considera que o risco de reintrodução do sarampo na Bahia é “iminente” por conta do intenso fluxo turístico do estado. A pasta considera indispensável o alcance elevado das coberturas vacinais em todos os municípios. Eles chegaram a recomendar um monitoramento casa a casa por agentes de saúde para busca de crianças que não tenham sido vacinados na campanha contra o sarampo.

As crianças são o alvo principal do Calendário Nacional de Vacinação, organizado pelo Ministério da Saúde. Caso as crianças não sejam imunizadas, além do sarampo, outras doenças podem voltar a ter incidência no país. No total, são 12 vacinas aplicadas antes dos 10 anos em 25 doses. Para vacinar, a criança deve ser levada a um posto ou a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com o cartão de vacina. O Calendário Nacional define em qual época da vida a pessoa deve receber as doses das vacinas – e até mesmo idosos têm responsabilidades com o calendário nacional. Além de proteger a pessoa, a vacina também evita a transmissão de enfermidades para outras pessoas que não podem ser vacinadas – como os bebês para algumas doenças.

Regina Succi destaca que há um movimento contra as vacinas, mas que ele não é recente. “Ele surgiu no mundo desde 1790, quando Edward Jenner lançou a vacina. Naquela época já havia pessoas achando que a ideia da vacina era matar. O que ocorre agora é que o acesso a essa desinformação ficou muito facilitada. Muitas coisas que estão na internet, por exemplo, são mentiras, e as pessoas não checam”, contou.

Regina elencou, ainda, que a vacina – somente atrás da água potável, segundo ela – foi o evento que mais produziu efeitos positivos na qualidade de vida, diminuição da mortalidade e no prolongamento de vida útil das pessoas ao redor do mundo.

“As vacinas têm um valor incrível que séculos estão demonstrando. Temos que pensar que a vacina é uma prevenção importantíssima para diversas doenças. O que ocorre é que as pessoas esqueceram o efeito dessas vacinas justamente por não conviverem mais com as doenças. Eu vi muita gente morrendo de doenças que nem sequer existem mais no Brasil. Se as pessoas tivessem visto, elas não tomariam o risco dos filhos delas passarem por isso”, lamentou.

A Sesab afirmou que não tem levantamento de casos de recusa de vacina no estado. A pasta ressaltou que apenas distribuiu as doses para os municípios. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou que a pasta não tem esses dados também porque a vacina é uma demanda espontânea de quem vai aos postos.

“A gestão tenta sensibilizar a população sobre a importância da imunização por meio de campanhas publicitárias, da imprensa e nas salas de espera dos postos, mas existem algumas vacinas com baixa adesão, como a contra o HPV”, disse a SMS.

Sarampo no Brasil
Até 22 de outubro, Roraima confirmou 321 casos de sarampo no ano. Há uma maior incidência nos menores de 1 ano. No Amazonas, foram 2 mil casos confirmados até outubro. O maior número de casos notificados se concentra na população de 15 a 29 anos no estado.

Além dos surtos no Amazonas e Roraima, outros estados também confirmaram casos de sarampo: 43 casos no Rio Grande do Sul, 19 no Rio de Janeiro, 17 no Pará, quatro casos em Pernambuco e Sergipe, três casos em São Paulo, dois em Rondônia e um caso no Distrito Federal, totalizando 2.425 casos confirmados de sarampo no Brasil.

CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO:

CRIANÇA
AO NASCER – BCG (Bacilo Calmette-Guerin) – (previne as formas graves de tuberculose, principalmente miliar e meníngea) – dose única
Hepatite B – dose única

2 MESES – Pentavalente (previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por HiB) – 1ª dose

Vacina Inativada Poliomielite (VIP) (previne poliomielite ou paralisia infantil) – 1ª dose

Pneumocócica 10 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo
Pneumococo) – 1ª dose
Rotavírus (previne diarreia por rotavírus) – 1ª dose

3 MESES – Meningocócica C (previne a doença meningocócica C) – 1ª dose

4 MESES – Pentavalente (previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por Haemóphilus influenzae tipo B) – 2ª dose

Vacina Inativada Poliomielite (VIP) – (previne a poliomielite ou paralisia infantil) – 2ª dose

Pneumocócica 10 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – 2ª dose

Rotavírus (previne diarreia por rotavírus) – 2ª dose

5 MESES – Meningocócica C (previne doença meningocócica C) – 2ª dose

6 MESES – Pentavalente (previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por HiB) – 3ª dose

Vacina Inativada Poliomielite (VIP) – (previne poliomielite ou paralisia infantil) – 3ª dose

9 MESES – Febre Amarela – dose única (previne a febre amarela)

12 MESES – Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola) – 1ª dose

Pneumocócica 10 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – Reforço

Meningocócica C (previne doença meningocócica C) – Reforço

15 MESES – DTP (Difteria, tétano e coqueluche) – 1º reforço

Vacina Oral Poliomielite (VOP) – (previne poliomielite ou paralisia infantil) – 1º reforço

Hepatite A – dose única

Tetra viral ou tríplice viral + varicela – (previne sarampo, rubéola, caxumba e varicela/catapora) – Uma dose

4 ANOS – DTP (Difteria, tétano e coqueluche) – 2º reforço

Vacina Oral Poliomielite (VOP) – (previne poliomielite ou paralisia infantil) – 2º reforço

Varicela atenuada (previne varicela/catapora)

ADOLESCENTE
9 a 14 ANOS – MENINAS
HPV (previne o papiloma, vírus humano que causa cânceres e verrugas genitais) – 2 doses com seis meses de intervalo

11 e 14 anos – MENINOS
HPV (previne o papiloma, vírus humano que causa cânceres e verrugas genitais) – 2 doses com seis meses de intervalo

11 e 14 anos

Meningocócica C (doença invasiva causada por Neisseria meningitidis do sorogrupo C) – Dose única ou reforço

10 a 19 anos

Hepatite B – 3 doses, de acordo com a situação vacinal

Febre Amarela – 1 dose se nunca tiver sido vacinado

Dupla Adulto (previne difteria e tétano) – Reforço a cada 10 anos

Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola) – 2 doses, a depender da situação vacinal anterior

Pneumocócica 23 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – 1 dose a depender da situação vacinal – A vacina Pneumocócica 23V está indicada para grupos-alvo específicos

Dupla Adulto (previne difteria e tétano) – Reforço a cada 10 anos

ADULTO

20 a 59 anos

Hepatite B – 3 doses, de acordo com a situação vacinal

Febre Amarela – dose única, verificar situação vacinal

Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola) – se nunca vacinado: 2 doses (20 a 29 anos) e 1 dose (30 a 49 anos);

Dupla adulto (DT) (previne difteria e tétano) – Reforço a cada 10 anos

Pneumocócica 23 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – 1 dose é indicada para grupos-alvo específicos a depender da situação vacinal

IDOSOS

60 anos ou mais

Hepatite B – 3 doses, de acordo com a situação vacinal

Febre Amarela – dose única, verificar situação vacinal

Dupla Adulto (previne difteria e tétano) – Reforço a cada 10 anos
Pneumocócica 23 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – reforço a depender da situação vacinal – A vacina está indicada para grupos-alvo específicos, como pessoas com 60 anos e mais não vacinados que vivem acamados e/ou em instituições fechadas.

GESTANTE

Hepatite B – 3 doses, de acordo com a situação vacinal

Dupla Adulto (DT) (previne difteria e tétano) – 3 doses, de acordo com a situação vacinal

dTpa (Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) – previne difteria, tétano e coqueluche – Uma dose a cada gestação a partir da 20ª semana de gestação ou no puerpério (até 45 dias após o parto).

Fonte: Correio

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