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Saúde

seg , 29/10/2018 às 11:15

Câncer de mama: a difícil tarefa de superar a notícia pode fazer toda a diferença

“Em 2006, numa das muitas tardes em que eu passava debruçada sobre a janela de casa observando o vai-e-vem das pessoas, ao tocar em uma das minhas mamas, senti um pequeno caroço, do tamanho e da textura de um grão de feijão. Como sempre fui muito cuidadosa e atenta ao meu corpo, naquele instante, percebi que algo estava errado. Consegui agendar uma consulta para o dia seguinte e saí do consultório do meu mastologista respirando aliviada, pois, segundo ele, tratava-se apenas de um fibroadenoma, uma alteração comum e benigna da mama que raramente vira câncer e, na maioria dos casos, não necessita de tratamento específico. A orientação foi fazer o monitoramento anual do nódulo para observar possíveis alterações.

 

Em 2011, durante uma consulta de rotina, a ultrassom mamária acusou que o “bichinho” havia se mexido, cresceu e, depois de fazer os exames necessários, descobri que aquele grãozinho de feijão, tinha malignizado, virou um carcinoma ductal in situ. A gente sempre acha que esse tipo de coisa só vai acontecer com a vizinha, nunca com a gente… O susto foi grande. Um impacto muito forte, pois sempre tive pavor da palavra “câncer”.

Gritei! Chorei! Questionei ao meu médico o porquê de aquilo estar acontecendo comigo, já que eu estava fazendo todo o procedimento recomendado. Como, em cinco anos de acompanhamento constante e respirando aliviada, eu me via ali, ser ar, sem chão?… O Dr. Nolasco me explicou que o meu caso era raríssimo, afinal, a chance de aquilo acontecer era de apenas uma em um milhão. Me acalmei e ainda ali, diante dele, compreendi que só me restavam duas opções: me vitimizar e ficar em cima da cama chorando ou enfrentar aquela doença. Passou um filme na minha cabeça. Imediatamente, me lembrei da minha mãe e do quanto sofri com sua morte precoce, cinco anos antes, por conta de um infarto fulminante. E se eu sobrevivi à perda da pessoa mais importante da minha vida, não seria aquele “câncerzinho” que iria me matar, muito menos me abalar ou desestruturar. Respirei fundo, e fiz o que tinha que ser feito: decidi lutar, enfrentar aquela doença e decretar ao universo a minha sentença de vitória. Se tivesse que perder os cabelos, já estava disposta a fazer uma coleção de perucas. Se fosse necessário retirar parte da mama ou toda ela, eu o faria. Em casa, reunida com meus filhos e esposo, partilhei o que estava acontecendo, garanti que aquela doença não iria nos separar.

Aprendi muito com o câncer. Passei a valorizar coisas às quais eu não dava o valor devido por julgá-las pequenas como um simples ‘bom dia!’, um abraço, um beijo… Não foi fácil, confesso, mas pude contar com todo o amor, carinho, compreensão, cuidado e acolhimento da minha família e assim, depois de duas cirurgias, 28 sessões de radioterapia e seis anos de quimioterapia oral, aqui estou eu, viva, saudável, curada, cotando a minha história. Me chamo Vilma Martins, tenho 54 anos, sou mulher, mãe, empresária, e sou uma sobrevivente. Eu venci o câncer!

Infelizmente, ao contrário de Vilma, milhares de mulheres no Brasil e no mundo, ano após ano, têm perdido a luta contra o câncer de mama que, de acordo com dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, é o tipo de tumor mais comum e que mais mata mulheres em todo o planeta. Somente na Bahia, a estimativa de Incidência de Câncer, para o biênio 2018-2019, levantada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), é de 36,93 casos para cada 100 mil mulheres. Um número ainda alarmante uma vez que, segundo o INCA, o Brasil se situa entre os países que mais têm avançado na consolidação de um sistema integrado de vigilância de informações sobre a doença.

Atuando em Camaçari há 24 anos, a ginecologista Rosana Almeida aponta para importância do autoexame e da observação das mudanças no corpo, não só para a prevenção da doença, mas, principalmente, para estimular a mulher a procurar tratamento e orientação médica. “A mulher precisa se conhecer. Ao tocar nos seios com regularidade, ela perceberá qualquer coisa diferente que sentir. No entanto, o fato de apalpar e não sentir nada, também não significa que ela está fora de perigo, da mesma maneira que a percepção de algum caroço pode não apontar para algo grave”, orienta. Por isso, a doutora também alerta para a importância de consultar sempre um ginecologista, manter hábitos saudáveis e fazer os exames preventivos no tempo adequado guardando os resultados de mamografias, ultrassons, radiografias e ressonâncias por tempo prolongado, a fim de assegurar um acompanhamento detalhado.

E, apesar de não existir uma maneira específica de evitar a ocorrência do câncer de mama, o INCA aponta que 30% dos casos podem ser evitados com hábitos saudáveis. Entre as recomendações do Instituto, está a prática regular de atividade física, uma alimentação saudável, manter um peso adequado, amamentar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cuidar da saúde emocional. Além disso, mundialmente, o dia 19 de outubro é marcado como o Dia Internacional do Câncer de Mama, data que relembra a importância da prevenção da doença. Intitulado como “Outubro Rosa”, o mês inteiro é dedicado à campanha mundial para disseminar informações sobre o tema. Afinal, quanto mais cedo o câncer de mama for descoberto, mais altas são as taxas de sucesso do tratamento e maiores são as chances de cura.

No entanto, apesar de se falar muito mais abertamente sobre a doença e de toda a visibilidade que o assunto já ganhou diante dos grandes meios de comunicação, ainda é crescente o número de mulheres que, por medo, tardam em buscar atendimento. “Tem gente que nem pronuncia a palavra câncer. E é preciso que haja, cada vez mais, um maior esclarecimento sobre a doença e sobre todos os avanços da medicina no sentido de garantir às pacientes uma melhor qualidade de vida, como a possibilidade de já sair da mastectomia com uma prótese originada de retalhos do próprio corpo, por exemplo”, ressalta Dra. Rosana. E ela ainda acrescenta: “ninguém está livre de ter algum tipo de câncer, infelizmente, não existe uma capa protetora que impeça o surgimento de um câncer ou de qualquer outra doença degenerativa. Acima do medo deve estar a coragem de se cuidar e manter-se informado sobre as doenças e todos os tipos de tratamento que existem”.

Histórias como a de Vilma Martins servem como motivação, principalmente, para quem atravessa esse momento tão difícil. Inspiram a acreditar que é possível sim, lutar, sobreviver, e continuar vivendo apesar de todo o horror que o câncer representa. “Não tenham medo, se toquem, se cuidem, se amem. O câncer assusta e até mata, mas também ensina muito, afinal, não tem como passar por essa experiência e não redirecionar a vida, valorizar as coisas simples que, muitas vezes, não conseguimos aproveitar com intensidade. Superar o câncer, para mim, foi muito além de me curar fisicamente. Quando olho para as minhas mamas hoje, sinto uma profunda gratidão, elas representam uma vitória”, comemora.

Por: Elba Coelho

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