Bibi Gourmet

Geral

qua , 24/10/2018 às 11:49

Segundo turno sem problemas? TRE orienta mesários para evitar demora

Para muitos baianos, a experiência de votar no primeiro turno este ano foi desgastante. A junção de seções acabou fazendo com que eleitores esperassem mais de três horas para votar. Outros problemas como biometria, desorganização e desinformação também são elencados por eleitores. A pergunta que fica é se o segundo turno, que ocorrerá nesse domingo (28), terá os mesmos problemas do primeiro.

Débora Bitencourt, 21 anos, é cadeirante e classificou sua experiência como “humilhante”. O problema dela começou quando chegou ao local de votação. Por conta do recadastramento biométrico, ela acabou ficando em uma seção no segundo andar de uma escola.

“Na minha primeira eleição, eu não tive uma acessibilidade ‘ótima’ porque tinha escadas, mas dava para subir. Neste ano, eles me transferiram para um outro colégio que não tem acessibilidade, me causando um transtorno enorme e uma humilhação sem tamanho”, disse.

No dia, Débora escreveu no Facebook um texto relatando o ocorrido. “Quando eu fui fazer meu título, informei ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que eu era portadora de uma deficiência motora e que deveria votar no térreo por conta da acessibilidade. Foi uma falta de respeito absurda”, escreveu.

Para conseguir votar, o tio de Débora teve que carregá-la para o segundo andar. Débora ligou para o TRE-BA. “Eles disseram que iriam retornar a ligação para falar o que decidiram, mas até hoje nada”, lamentou.

Quem também se sentiu humilhada foi a professora Juliana Oliveira, 30 anos. Juliana foi duas vezes à sua seção e desistiu de votar. Ela chegou a ficar duas horas na fila na primeira vez, de manhã. Na segunda vez, a situação “estava ainda pior”.

“Eles davam uma estimativa de tempo entre 2 e 3 horas. Ninguém nem sabia onde a fila começava e terminava. Voto nessa seção há 12 anos! Nunca peguei mais do que 10, 12 minutos de fila. Senti um despreparo dos mesários”, contou. A professora afirmou que pretende votar no segundo turno e espera ver menos filas nas seções.

Filas e biometria
O administrador de empresas Thamir Maron atribui a demora de duas hora para votar ao conjunto de junção de seções, biometria falhando e desinformação da população. “Na hora que eu cheguei não achei tão cheio, mas a biometria e a quantidade de candidatos que as pessoas tinham que votar acabou atrapalhando, fazendo um gargalo e aumentando a fila”, disse. Maron ainda ressaltou que eleitores tiveram problemas para lembrar os números de seus candidatos e, por isso, o processo foi mais lento.

O administrador Alan Teixeira, 42, também sofreu com a demora para votação. “Eu fiquei duas horas e meia na fila. Essa eleição foi muito mais demorada do que as outras. Eu acredito que pela mudança da biometria e a quantidade dos candidatos. Eu e minha esposa tivemos dificuldades”, contou.

Orientação
De acordo com o TRE-BA, 5.781.757 eleitores biometrizados compareceram ao 1º turno das eleições e o estado teve 700 mil pessoas precisando votar pelo método convencional, percentual de 12,78% de dificuldade na leitura dos dados biométricos dos eleitores no dia do pleito.

A nova orientação aos mesários é que, com quatro tentativas, o eleitor deve assinar o caderno de votação.

“No segundo turno nós já procuramos comprar material para limpar o leitor de digitais. Às vezes, o problema era sujeira no leitor. Quatro tentativas é o suficiente. Caso não tenha captado a biometria, o eleitor pode votar pelo método convencional, assinando o caderno de votação”, explicou o presidente do TRE-BA, José Rotondano, em entrevista à TV Bahia.

Ao contrário do que os eleitores afirmam, o presidente não atribui a demora aos problemas na biometria. “No primeiro turno, eram seis cargos e 19 números a serem digitados, muitos eleitores não levaram suas colas e isso atrasou. Agora são apenas dois candidatos, dois números, com certeza o tempo de votação será mais curto”, disse.

Na coletiva concedida à imprensa para avaliar o primeiro turno, Rotondano afirmou que chegou a sugerir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que diminuísse a sensibilidade da urna às digitais:

“O TSE nos deu resposta negativa, justificando que a segurança do processo é muito mais importante do que a agilidade na votação”, lembrou.

Seções
No dia 7, o CORREIO acompanhou o drama da aposentada Doralice Pereira, 69 anos. Ela passou por três escolas, ligou diversas vezes para o TRE e só conseguiu descobrir sua seção após quase duas horas depois. “Uma moça na coordenação olhou na internet e conseguiu ver para mim. Só que a fila estava andando tão devagar que, quando eu fui votar, já tinha passado mais duas horas”, contou.

“Dessa vez eu vou é para o mesmo lugar, minha filha. Agora eu já sei onde é o lugar! Eu fui para Boca da Mata, fui na Cajazeiras 10 e só depois que eu vi descobri onde era. Eles mudaram e não avisaram a ninguém, não é? Ficou uma confusão.. Agora eu vou para o mesmo lugar, espero que não mude”, contou rindo.

Ao CORREIO, o TRE-BA afirmou que todos os eleitores têm seção. “A partir do momento que um cidadão é eleitor, ele obrigatoriamente tem seção. O que deve ter acontecido nestes casos (em que o eleitor teve dificuldades para encontrar seu local de votação) é o fato da zona do eleitor ter sofrido rezoneamento e ter mudado de zona e seção”, disse a assessoria de imprensa. O TRE-BA não tem levantamento de quantas pessoas tiveram dificuldades para votar por conta da mudança de seção.

A explicação do presidente do TRE-BA para agregar seções foi porque algumas delas estavam com número baixo de eleitores e a quantidade de urnas era insuficiente para atender aos mais de 10 milhões de eleitores na Bahia.

“Solicitamos novas urnas ao TSE, mas não foi possível obtê-las. Tivemos que agregar seções, até para não correr o risco de ter votação manual. Mas, respeitamos as determinações do TSE e, na Bahia, apenas uma seção funcionou com o número máximo, 550 eleitores. Todas as outras foram com números inferiores”, disse, à época.

Urnas quebradas
O motorista Sidclei Santos, 43, teve a infeliz coincidência de ir votar em uma das 310 seções em que as urnas tiveram que ser substituídas.

“Eu cheguei lá umas 8h. A fila estava enorme. Eu fui na porta e perguntei o porquê delas não trocarem logo a urna. As mesárias estavam ligando e desligando a urna para ver se voltava a funcionar. Elas me contaram que a ordem era de ligar e desligar e só trocar em último caso. Só voltou a funcionar 10h. Eu votei umas 10h40. Na minha seção, várias pessoas tiveram problemas com a biometria. Uma chegou a usar todos os dedos e não conseguiu. Além de que ficou muita gente em um lugar só. Eu espero votar tranquilo e que isso não aconteça novamente”, disse.

Em nota, o TRE-BA afirmou que os motivos para substituição das urnas foram técnicos. “Algumas travaram, outras descarregaram, no entanto, todas foram substituídas e todos os votos foram garantidos”. O TRE não tem o registro das cidades que tiveram mais problemas com urnas ou previsão de substituição no segundo turno, mas destacou que as 310 representam um percentual de 0,99% do total de urnas.

Saiba como não ficar perdido no segundo turno:
O TRE-BA indica que três caminhos sejam feitos pelos perdidos: baixar o aplicativo e-Título do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ligar para o número institucional do Disque-Título (71 3373-7000) ou ir até a sede do órgão no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

Em caso de problemas com mau funcionamento da urna eletrônica, o eleitor deve apresentar a situação imediatamente ao mesário ou ao presidente da mesa da seção eleitoral. Este deve registrar a manifestação do cidadão em ata, descrevendo a urna e a situação apresentada, bem como comunicando o fato ao juiz eleitoral.

O TRE-BA também orienta que aqueles que não votaram no primeiro turno e que forem votar neste domingo (28) busquem, com antecedência, as informações sobre seus locais de votação.

Aqueles que não comparecerem às urnas e precisarem justificar terão, além dos cartórios e postos de atendimento, o sistema online Justifica disponível no site https://justifica.tse.jus.br.

Fonte: O Correio

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