Prefeitura_Novo_PA

Geral

seg , 27/11/2017 às 08:52

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos Júlio Bonfim aponta perdas após reforma trabalhista

Preocupado com garantias do direito trabalhista, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos diz que continua na luta em busca ao resgate dos direitos do trabalhador e se coloca preocupado com o futuro do país.

 

 

A reforma trabalhista já é uma realidade. Na prática, ela pode excluir do contrato o pagamento pelas horas que se gasta para chegar ao trabalho quando é de difícil acesso, reduzir os valores de indenização por danos morais, fazer prevalecer os acordos entre patrões e empregados sobre a lei, possibilitar a redução de salário e o aumento da jornada de trabalho, além de uma série de outras alterações estruturais.

 

O que cria emprego efetivamente é o aquecimento da economia, a verdade é que essas reformas estão ligadas ao empresariado embora eles não assumam.

 

Líder sindicalista e defensor da retomada dos direitos do trabalhador, Júlio Bonfim, presidente do Sindicado dos Metalúrgicos de Camaçari, uma referência no Brasil, devido à demanda de serviços oferecida aos associados, fala da importância da união dos trabalhadores para reverter esse cenário. Confira entrevista!

 

Nossa Metrópole – A reforma trabalhista foi apresentada à sociedade como uma alternativa para se gerar emprego, diante da crise econômica. Como o sindicato avalia essa situação?

Júlio Bonfim – Trata-se de uma grande mentirada para enganar o povo. Um verdadeiro absurdo. O que cria emprego efetivamente é o aquecimento da economia. A verdade é que essas reformas estão ligadas ao empresariado, embora eles não assumam.

O povo precisa acordar. Eles querem o desmonte de uma estrutura organizada desde 1943. Com essa nova realidade, fica mais difícil para o trabalhador em condições precárias fazer exigências.

NM – Em sua opinião, apenas o patrão está sendo beneficiado?

JB – Claro. Essas reformas todas são um ataque do capital, e das forças ligadas a esse capital, ao trabalho, que é uma das alas mais vulneráveis da sociedade.

Quanto mais flexível o salário, a jornada, e quanto maior a reserva de mercado, mais favorável é para o empresário, porque ele pode baratear o salário. O trabalhador é aquele que está na condição de dependência e é mais vulnerável porque se ele precisa de emprego vai aceitar qualquer possibilidade por um pedaço de pão.

NM – Qual o perfil do trabalhador que mais deve ser prejudicado com a reforma? Por quê?

JB – O fato é que a classe trabalhadora inteira perde, mas os que devem ser mais impactados são as mulheres, os jovens, os pobres e os negros, é o que se observa em outros países e aqui não será diferente.

NM – Você acha que faltou movimentação popular contra a reforma?

JB – Não tenho dúvidas. O povo brasileiro precisa entender a sua força e se aliar às entidades sindicais para que juntos possamos lutar contra todos esses desmandos e perda de direitos.

Acabou. Não dá para se acomodar. De agora em diante, tudo fica muito mais difícil e só o povo pode, efetivamente, mudar essa situação.
NM – No próximo ano, teremos pleito eleitoral. É hora de dar o troco?

JB – Claro. Só através da política é possível lutar contra essas forças. O povo brasileiro precisa aprender a votar e entender a importância do ato. Não vamos trocar o nosso voto por favoritismo ou, simplesmente, recuar diante às eleições.

É preciso votar sim, mas saber votar. Vamos avaliar nossos candidatos, seu histórico, lutas, ideologias, engajamento partidário. O trabalhador precisa votar a seu favor.

É preciso ter em mente que com essa reforma as categorias mais organizadas vão conseguir se manter, mesmo a duras penas, mas os trabalhadores mais pulverizados não vão ter a chance de se contrapor, nem fazer valer seus direitos, até porque, eu, sinceramente, não sei quais direitos vão restar.

Por Fabiana Monte

Para visualizar este conteúdo corretamente, é necessário ter o Flash Player instalado.

Para visualizar este conteúdo corretamente, é necessário ter o Flash Player instalado.

Mais Notícias

Mantenha-se Informado!

Deixe seus contato para receber nossas notícias